Brasil x Itália: as diferenças do consumo de café em cada país

Bebida é paixão nacional dos dois lados do Atlântico

O café está intimamente ligado às relações históricas entre Brasil e Itália, já que milhares de imigrantes do “Belpaese” atravessaram o Atlântico para trabalhar em lavouras no gigante latino-americano entre os séculos 19 e 20, porém cada país tem hoje seus próprios costumes ao saborear uma bebida que se tornou paixão de ambos os povos.

No Brasil, maior produtor do grão no mundo, é comum beber café coado em xícaras e copos de vidro, enquanto na Itália, um de seus principais compradores, a cultura do expresso mantém-se dominante.

O instrutor e barista da marca italiana illycaffè, José Cavalcanti, lembra que, “em geral, o brasileiro exige a xícara cheia, o que proporciona uma bebida mais diluída”, caso do café filtrado.

Já na Itália, o volume do expresso varia “entre 15 e 25 ml, a depender da região, com uma bebida muito concentrada e grande valorização da crema”, a espuma cremosa que cobre o café.

Muitos brasileiros desavisados já se decepcionaram no “Belpaese” ao pedir um café e receber um expresso em uma xícara pequena, para ser tomado de um gole só: “caffè”, na Itália, é sinônimo da bebida feita na máquina.

Café com leite no copo, também chamado de “pingado”: um clássico das padarias brasileiras / Unsplash

Por outro lado, no país do carnaval e do futebol, os brasileiros começam o dia com o “café da manhã”, indicando o peso da bebida, geralmente feita com coador e servida com leite, em sua primeira refeição. Além disso, o café filtrado e servido em copos de vidros nas padarias se tornou um ícone da cultura nacional, reforçando a informalidade da bebida nas diversas classes sociais.

“No Brasil, o expresso fica para acompanhar reuniões e após refeições”, diz Cavalcanti. Já na Itália, a “regra” é clara: cappuccino (uma das versões do expresso) só pela manhã, para quebrar o jejum durante a “colazione” (“café da manhã”, em italiano) – jamais à tarde e nunca, nunca, depois do almoço. “Até existe piada sobre pedir cappuccino à tarde, sinônimo de turista dentro dos bares”, conta o barista da illy.

Já no decorrer do dia, os italianos vão aos bares para um “caffè” (expresso) “quantas vezes precisar”, ou para um “macchiato à tarde”.

A própria máquina de café expresso foi criada na Itália, no fim do século 19, permitindo a extração intensa de café moído a partir de água quente sob alta pressão.

O expresso é a versão “pura”, caracterizada por maior concentração e sabor mais forte. A partir dele, os italianos criaram o cappuccino (mesma medida de expresso e leite vaporizado); o latte (com mais leite que café); o macchiato (com uma “mancha” de leite vaporizado); e o mocaccino, ou mocha (expresso, leite vaporizado e chocolate).

Para quem quiser um café como no Brasil na Itália, o mais próximo é o conhecido como “americano”: um expresso, mas com água quente adicionada, de modo a deixar a bebida menos concentrada. Não é como o filtrado, mas com certeza, irá satisfazer um pouco melhor o paladar do brasileiro.

Bruna Pit também é jornalista de ANSA

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