Lendas urbanas italianas que você precisa conhecer

Muito antes das fake news do mundo digital, as lendas urbanas ocupam espaço nas narrativas populares em muitos países há décadas. Na Itália, o tema é tão corriqueiro que ganhou até um centro especializado em registrar esses discursos: Centro Per La Raccolta Delle Voci e Leggende Contemporanee.

De modo geral, as lendas urbanas são histórias orais, baseadas, muitas vezes, em fatos reais, mas com elementos fabulosos ou sensacionalistas. Podendo ser amplamente difundidas pela imprensa, essas narrativas ultrapassam fronteiras e são conhecidas a nível nacional.

Conheça algumas lendas urbanas famosas em toda a Itália.

A velha do Vico Dei Librai

Dizem que o fantasma da velha do Vico Dei Librai está à solta em Gênova, na eterna tentativa de voltar para casa /Unplash

O conhecido caso de “la vecchina di Vico dei Librai”, ou “a velha da rua Vico Dei Librai”, em tradução livre, surgiu em torno da figura de uma dona de casa, na cidade de Gênova, durante a Segunda Guerra Mundial.

Corria o ano de 1944. Maria Benedetti tinha idade avançada e morava na rua Vico Dei Librai, endereço já extinto na capital da Ligúria. Certo dia, ela saiu, com sua sacola, para fazer compras, quando, após um mal súbito, faleceu nas proximidades de um portão.

A primeira aparição de seu espírito é datada de 1989 a um grupo de jovens. Vestida com roupas antigas, a senhora teria perguntado aos rapazes, em genovês ultrapassado, onde ficava a rua Vico Dei Librai. Os jovens, com dificuldades para entender a mulher, antes mesmo que pudessem buscar alguma resposta, viram a velha simplesmente desaparecer. Mais tarde, ela teria aparecido a um morador de rua e lhe dado 100 liras, cujas notas eram de 1943.

Nos anos seguintes, a imagem da velha do Vico Dei Librai foi vista por outras pessoas. Desesperada para retornar para casa com suas compras, Maria Benedetti, busca, em vão, encontrar a rua em que morava.

As bruxas de Colobraro

Maddalena La Rocca, a bruxa mais famosa de Colobraro, em foto de Franco Pinna nos anos 1950

Existe, em italiano, uma tradução literal para o xingamento “vá para aquele lugar!”. Mas, se no Brasil, “aquele lugar”, ou “quel paese”, é apenas uma força de expressão, na Itália, ele existe de verdade: Colobraro, uma cidadezinha na província de Matera, região da Basilicata.

Nem todos ousam mencionar seu nome, pois “aquele lugar” é o destino de maior infortúnio de todo o país!

Apesar da má fama, turistas de todos os cantos visitam a cidade atraídos pela superstição. Uma das principais origens relacionadas a “quel paese” deve-se a um grupo de mulheres tidas como bruxas. A mais famosa delas, Maddalena La Rocca, imortalizou-se nas fotos de Franco Pinna no início dos anos 1950.

Óvnis em Gênova

A Itália também tem o seu “ET de Varginha” – lenda urbana brasileira famosa em fins da década de 1990. No caso italiano, a história mais popular sobre o avistamento de óvnis (objetos voadores não identificados) ocorreu em 1978 em Gênova.

O guarda Pier Fortunato Zanfretta, pensando ter visto bandidos invadirem um terreno, aproximou-se para realizar o controle local. Para sua surpresa, deparou-se com um ser de três metros de altura, cujos olhos amarelos tinham o formato de triângulo.

Terrivelmente assustado, Zanfretta fugiu do lugar. Ainda assim, viu um objeto voador não identificado no céu. Outras 52 pessoas também confirmaram a presença do óvni na ocasião.

Azzurrina

Castelo de Montebello, que exibe gravação sonora do suposto fantasma de Azzurrina, a “menina azul” , morta no local há quase setecentos anos / Riviera di Rimini

Baseada em fatos reais, a triste história de Azzurrina, a “menina azul”, em tradução livre, é um dos grandes atrativos turísticos do Castelo de Montebello, em Rimini, na Emília Romanha. Quem visita a fortaleza do palácio, tida como o lugar de falecimento da menina do século 14, ouve gravações sonoras feitas no local no início dos anos 1990: além de barulhos de tempestade, há quem identifique o choro ou a risada de uma criança em meio ao caos.

Em vida, Azzurrina era Guendalina Malatesta, filha do senhor feudal do castelo. Albina, a menina era mantida afastada do convívio social, já que o albinismo, naqueles tempos, era visto como uma maldição. Para atenuar a aparência da filha, que também tinha a pele muito clara e os olhos muito azuis, sua mãe pintava seu cabelo com tinta escura. Porém, o pigmento do material não reagia, de modo esperado, aos cabelos naturalmente descoloridos da criança, tornando-os azulados.

Uma das versões mais conhecidas da lenda narra que em 21 de junho de 1375, a “menina azul” estava brincando com uma bola na fortaleza do castelo, quando caiu da escada. Os soldados ouviram um grito, mas ao chegarem ao local, não encontraram nem Azzurrina e nem a bola.

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